segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O meu 1º dia em COIMBRA e a minha 1ª PRAXE

Hey!!!


Estou a escrever-vos de Coimbra. Sim, de Coimbra. Vai ser aqui que vou viver durante os próximos 10 meses ou 3 anos. Se forem daqui, venham dizer olá.
Não estejam preocupados comigo, porque está tudo bem. Estou aqui a estudar Jornalismo e Comunicação e tem sido uma aventura. Desde arranjar casa, fazer a matrícula, fazer um único amigo, tudo foi e é complicado. Neste preciso momento são 18:50h do dia 19/09/2017. Estou no meu segundo dia nesta grande, mas ao mesmo tempo, pequena cidade. Ouvi falar muito dela antes de vir para cá. "É uma cidade muito bonita", "É um pouco mente fechada, mas vais-te dar bem", "AH, muito bem. Quem entra em Coimbra entra em qualquer universidade. É uma honra estudar lá".

No meu primeiro dia acordei eram 5:30 da matina. Tomar banho, comer, pegar nas malas e enfiar-me no Alfa Pendular, em conjunto com a minha mãe que me ajudou a trazer as 3 malas cheias, com destino a Coimbra-B. Chegamos ao 1º destino. Saímos do Alfa e reparamos que está um comboio com destino para Coimbra prestes a partir. Lá vamos nós a correr até ao comboio, atropelando tudo que está vivo com as malas enormes. Entramos e saímos do autocarro que anda numa linha, sem pagar, tal como outra senhora que também era nova ali. Vi dois rapazes bem giros, só para saberem.

Coimbra! Finalmente. Olhámos à nossa volta e vimos autocarros e mais autocarros e autocarros, mas nenhum deles parecia ir para o nosso destino. Decidimos procurar um táxi. Algo que parece não existir aqui. Desistimos e vamos para o mini-preço (o único hipermercado no meu raio de visão), comprar mais alguns mantimentos para esta semana que se avizinha. Saímos de lá carregados de sacos com bolachas, pão e leite e o mais importante, o ATUM e vemos um autocarro com destino a Olivais. Pensei um pouco e quando o homem fecha as portas eu grito para a minha mãe: "é aquele", e lá vamos, mais uma vez, a correr. O homem com o seu sorriso pede desculpa e abre a porta. Ele pergunta para onde vamos. Eu olho para a minha mãe e ela olha para mim e não sabemos o que dizer. A única coisa que me veio à cabeça foi Faculdade de Economia. Depois de uma viagem de quase 20 minutos que me fez chegar atrasado uma hora à minha primeira e mais importante palestra, chego a casa. Já tenho a chave na mão, entro e começamos a arrumar tudo no seu devido local.
Agora é hora da comida. Vamos até à cozinha que fica a 1 hora do meu quarto e encontramos o Francisco 1/3 colegas de quarto. Um jovem alto. Muito alto mesmo. Simpático e bonito e também acolhedor. Ele até se ofereceu a mudar a sua comida para a prateleira mais alta para eu poder guardar a minha sem ter de subir a uma cadeira.

...


São 10:54h. Ainda estamos a arrumar as coisas. Já passam 9 minutos desde a hora marcada para a palestra e cerca de 3 desde o início da praxe. Estava bastante nervoso para ambos, mas para a praxe até tremia só de pensar. Tentei acalmar-me antes que tivesse outro ataque de ansiedade. Eram 11:20h quando tudo estava pronto. E saímos de casa. A minha nova casa. Vamos em direção ao centro da cidade quando me lembro que não tenho saldo no telemóvel e preciso de o carregar. Mais uma vez, estamos numa aventura, porque não existe nenhum sítio em que se possa fazer isso. Continuamos a andar e encontramos um centro de fotocópias que faz esse tipo de serviços. São agora 11:35h. Saímos do centro de cópias e eu vou a correr para a faculdade de letras e a minha mãe vai de volta para o porto. Quando entro no edifício sinto-me uma formiga perdida. Grande e bonito com muito gente. Começo a subir escadas e vou até ao 6ª piso, que na verdade é o 2º andar. Encontro uma doutora do meu curso, "Caloiro é novo? Vai para a palestra? Vá atrás daquela menina! Quer ir à praxe a seguir?". Respondi a todas as questões com um sim e fui levado pela outro Doutora (ambas muito simpáticas) para a palestra. Entrei na sala e eram 11:54h. "Desculpe o atraso!", "Grande atraso", respondeu-me uma personagem que eu nem sei quem é.
Vou para o fim da sala e fico a ouvir os restantes cinco minutos. Às onze e trinta fizeram um intervalo e vim cá para fora. Passado um tempo um rapaz, também de nome Francisco, diz olá e continua o seu caminho. Mais um minuto ou outro aparece a Maria uma rapariga, bastante, simpática e que parece que tem cabedal para ser minha amiga ahaha. Vou lá fora para ela poder fumar um cigarro e ficamos a conversar um pouco. Passado um pouco vamos para a beira de uns doutores e doutoras, que também parecem ser simpáticos. Todos eles são simpáticos até à hora da praxe (já vão perceber o que quero dizer). É meio dia. Hora de voltar para mais uma palestra que até foi interessante.

Quando acabou saímos da sala ou auditório e toda uma comitiva estava à nossa espera para nos pescar para a grande, reconhecida e cortadora de cabeças PRAXE. Fomos levados com eles até às monumentais, que presumo que sejam as escadas enormes que estão à entrada da universidade e que tantos turistas gostam de ver. Somos obrigados a andar de mão dada com uma pessoa do mesmo sexo, isto é, rapazes com rapazes e raparigas com raparigas. Gostei da ideia. Um pouco preocupado porque não conhecia ninguém lá me encaixei na fila do amor ao lado do Samuel.
Depois de tudo isto, somos levados para uma cantina onde é esperado o almoço. Todos pensamos que iríamos comer normalmente, mas não. Depois de uma hora na fila e à conversa com os doutores, para os quais não podemos olhar durante o horário da praxe, sento-me numa mesa com mais 4 rapazes. O Miguel, o João, o Pedro e o Pedro. Aqui de-mos de comer uns aos outros. Algo que nunca tinha feito na vida a alguém, sem ser ao meu irmão. Senti-me preparado para adotar o meu primeiro filho e ser um bom pai. Depois disto tudo começou a verdadeira praxe. Aquela que para alguns é fanstástica e que para outros como eu é apenas algo banal. Aprendi o hino e o lema do curso. Tudo gritado em voz alta, até perderes literalmente a voz. Fizemos jogos, fizemos a apresentação individual, aos gritos para que os surdos nos conseguissem ouvir, e foi depois de me dar a conhecer ao mundo, como Pedro o rapaz que não consegue gritar, é super envergonhado e não gosta de ouvir berros ou estar no meio da confusão, que recebi a minha placa de besta onde escrevi a minha graça, a minha gracinha, dentição e região. A praxe estava a chegar ao fim, mas não podia acabar sem cantarmos o hino do curso e todas umas canções, melhores do que as que se aprendem na catequese. ACABOU. Finalmente acabou. Corri para sair dali e poder chegar a casa e descansar.

Entrei e não ouvi ninguém, fui para o meu quarto, mudei de roupa (mesmo tendo a febrada) e deitei-me a pensar na decisão que tinha tomado ao vir para longe de casa, longe da minha família dos amigos e até dos velhos à porta dos cafés da minha terra. Quase que adormecia, mas tinha de escrever no meu bullet journal, ver os meus vídeos e fazer skype com as amigas para matar saudades.
O dia chegou ao fim. Adormeci com um sorriso na cara por ter sobrevivido à primeira noite a sério, sozinho, longe de tudo. (pq as primeiras foram nos escuteiros)


Agora voltanto ao assunto da praxe e falando seriamente. Hoje em dia existe um grande misticismo e mediatismo à volta desta grande tradição que está presente em, quase, todas as faculdades do país. Desde o incidente no meco e a homofobia em Aveiro que a praxe ganhou uma conotação negativa e se tornou motivo de medo. Tenho de admitar que também tinha medo dela por vários motivos e um deles era devido à ideia passada pelos media. Hoje e depois de ter experimentado, apenas um dia, posso dizer que aquilo não é mau. De todo. Se os doutores respeitarem os caloiros e os caloiros respeitarem os doutores. Se não se usaram palavras como gay, menina ou outras como insulto. Se não se rebaixar uma pessoa e obrigá-la a fazer coisas que ela não quer, está tudo bem e a praxe é boa. Eu gostei de estar lá e contatar com os doutores e com os meus novos colegas de curso. Gostei dos jogos, gostei de ver até onde a minha voz conseguia ir, sem ser a cantar. E por isso estou aqui para dizer que por aquilo que vi, a praxe não é má. A Praxe é uma forma de se manter uma tradição acessa e uma forma dos estudantes mostrarem a sua paixão pelo curso, instituição ou outra coisa qualquer. Não sou Anti-Praxe. Gosto da praxe e por um lado até acho que é necessária, mas NÃO ME IDENTIFICO com ela e isso não é mau. Se não gostamos de algo, saímos. Fazemos outra coisa e deixamos os outros aproveitá-la. Sim, aquilo que aconteceu noutras praxes foi mau e depolorável, mas nem todas são assim. Vão pelo menos ao primeiro dia e depois vejam o que realmente querem.

Love you all,
PeZ
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